Pular para o conteúdo principal

Corpo estranho linear em um felino


Gatos adoram brincar com objetos estranhos e parecem ter uma atração especial por fios. Essa paciente tem uma terrível mania de comer fio-dental. Em uma dessas peripécias, um pedaço ficou preso e resultou nessa imagem de plicatura intestinal. Tendo deixado de se alimentar, a gata foi encaminhada ao ultrassom e o que se observou foi um leve sanfonado da região inicial do duodeno, o que indica que o processo de plicatura do intestino estava apenas no início, o que pode resultar na salvação da porção efetada por não estar ainda necrosada. 
A paciente foi encaminhada para o procedimento de remoção cirúrgica do corpo estranho.

Comentários

  1. Oi Fernanda! Primeiro PARABËNS pelo blog, estou adorando seus comentários e fotos.

    Gostaria de tirar uma dúvida, quais outras alterações poderia nos levar a pensar em corpo estranho quando fazemos um exame ultrassonografico? Pois sempre fico em dúvida quando tem a suspeita de corpo estranho, pois muitas vezes o animal apresenta as alças intestinais pliçadas, com conteúdo,e eu nunca sei quando "bater o martelo".
    Obrigada, Cristiane

    ResponderExcluir
  2. Oi Cristiane,
    Obrigada!

    Corpo estranho é algo difícil de diagnosticar com certeza absoluta; por isso sempre recomendo uma boa palpação clínica, histórico bem feito (considerar e muito a idade do paciente) e uma combinação com o raio-x (nem precisa ser contrastado). Mas lembre-se que é muito importante que você veja, também, sombra acústica.
    Abraços e boa sorte,

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Alterações esplênicas em cães

As alterações esplênicas em cães normalmente são avaliadas de maneira subjetiva pelo ultrassonografista, já que existe uma variação de porte do paciente bastante grande. Ao contrário da esplenomegalia em felinos, que pode ser observada pelo aumento longitudinal do órgão, esta afecção em cães é comumente constatada pelo aumento transversal do mesmo. 
Muitas são as causas da esplenomegalia, sendo importante destacar as hemoparasitoses, as parasitoses intestinais e epiteliais severas e as doenças endócrinas como hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo e diabetes mellitus. 
Além do tamanho, o ultrassonografista deve estar atento à ecogenicidade esplênica, que de acordo com o macete "My Cat Loves Sunny Places" (M=medulla; C=cortex; L=liver - fígado; S=Spleen - baço; P=prostate) deve ser discretamente mais hiperecóica que o fígado e um pouco mais hiperecóica do que a camada cortical dos rins. 
Outro aspecto importante é a ecotextura deste órgão, saudavelmente homogênea e lisa, aco…

Líquido livre em cavidade abdominal

Muitas vezes o ultrassonografista se depara com líquido livre abdominal. Normalmente este é um motivo de grande preocupação clínica, pois pode representar várias afecções diferentes, inclusive as de ordem sistêmica.
Quando observado em cães, pode-se pensar em neoplasia abdominal, hipoproteinemia, peritonite, perfuração de órgãos quando há suspeita de corpo estranho, rompimento de bexiga, vasos ou órgãos parenquimatosos altamente irrigados como fígado e baço, afecções cardíacas, shunt portohepático, dentre outros.
Em gatos, as suspeitas recaem comumente em peritonite infecciosa felina (PIF), mas também podem representar as mesmas alterações dos cães. 
Gatos e cães altamente parasitados por ecto e endoparasitas cronicamente podem apresentar hipoproteinemia.
Uma centese ecoguiada desse líquido pode ser muito importante para o diagnóstico diferencial. Para isso, basta posicionar o paciente cooperativo em decúbito dorsal, encontrar a linha alba com o transdutor e localizar uma região afas…

Piometra de coto uterino - algumas apresentações

As imagens acima foram obtidas em exames ultrassonográficos diferentes de algumas pacientes da espécie canina; elas representam algumas formas de apresentação da afecção infecciosa de coto uterino.
Note os tamanhos variados de coto, a quantidade e as ecogenicidade e ecotextura variadas. 
Esse é um quadro mais comumente observado em paciente da espécie canina e normalmente os sinais aparecem poucos dias após a ovariosalpingohisterectomia (OSH). A explicação para esse acometimento para estar na frouxidão do miometro previamente dilatado pela gravidez, piometra ou cio, combinada ao excesso de tecido uterino deixado pelo cirurgião. A existência prévia de piometra não é um fator totalmente predisponente à formação de piometra de coto uterino, porém pode ser um agravante.