segunda-feira, 7 de maio de 2012

Diabetes mellitus: alterações sonográficas



A diabetes mellitus é uma doença caracterizada pelo aumento sérico de glicose ocasionado por duas situações distintas: a falta de produção de insulina pelo pâncreas ou a resistência periférica à insulina.

Normalmente a falta de produção de insulina é desencadeada pela auto-destruição das células beta e caracteriza a diabetes do tipo I por estar associada a doenças auto-imunes. Já a resistência à insulina ou até a produção insuficiente de insulina (insuficiente para o consumo exagerado de glicose - pouco comum em pacientes veterinários) são características da diabetes do tipo 2. 

Devido a eventos metabólicos associados à alta glicemia, o fígado do paciente diabético pode se tornar lipidótico, consequentemente hiperecóico e aumentado de tamanho. As duas figuras ilustram um fígado normal (primeira figura de cima para baixo) e um fígado lipidótico (segunda figura) para que a comparação possa ser feita, uma vez que a ecogenicidade de um órgão é bastante relativa aos ajustes do aparelho no momento da imagem estática. 

Outras alterações que podem ser observadas ultrassonograficamente concomitantes à diabetes mellitus são adrenomegalia bilateral homogênea (acompanhada ou não de manifestações clínicas de hiperadrenocorticismo, especialmente em felinos), espessamento parietal de alças intestinais envolvendo principalmente as camadas submucosa e muscular e pouco peristaltismo. Finalmente, é possível encontrar gás em líquidos vesicais (bexiga e vesícula biliar).

quarta-feira, 25 de abril de 2012

QUIZ: Qual é o seu diagnóstico?



Dados do paciente:
- Espécie: Canina
- Raça: Shih-tzu
- Idade: Não informada
- Cor: Característica
- Sexo: Masculino
- Esterilizado: Não

Histórico recente:
- Vítima de atropelamento. 

Descrição da obtenção da imagem:
- Paciente em decúbito lateral direito. 
- Posicionamento do transdutor conforme indicado na figura no canto inferior esquerdo da imagem.

Legendas:
- cor = coração
- fgd = fígado
- cost = costela

terça-feira, 10 de abril de 2012

Corpora lutea e folículo em ovários de cadela



Os corpora lutea ou corpos lúteos (corpos "amarelos", pois assim o são quando vistos a olho nu) são uma cicatriz deixada pelo folículo ovariano. Enquanto este produz majoritariamente estrógeno, aqueles são responsáveis pela maioria da produção de progesterona, que, como o próprio nome sugere, é um hormônio de manutenção da gestação em fase inicial; sua impermanência, inclusive, pode ser responsável por aborto espontâneo ou reabsorção fetal.

Como se trata de uma cicatriz, sonograficamente é esperado que essa estrutura apareça como tal: hiperecóica em relação ao parênquima intacto, sem produção de sombra acústica, já que não se trata de uma calcificação. Por outro lado, os folículos ovarianos são preenchidos por conteúdo líquido e podem atingir proporções significativamente grandes em relação aos ovários, estando presentes no período fértil do ciclo estral das cadelas e gatas. Sua localização no ovário pode ser central ou em bordas. Os cistos responsáveis pela síndrome dos ovários policísticos ou micropolicísticos normalmente localizam-se nas bordas, são de pequeno tamanho e observados em grande quantidade, mesmo fora do período fértil. 

Nessas imagens da mesma paciente, é possível observar um folículo dominante presente em ovário esquerdo e dois corpos lúteos em ovário direito. Isso é plenamente possível em cadelas e gatas, já que fêmeas daquela espécie liberam uma quantidade elevada de óvulos durante todo seu período fértil, que pode durar até 14 dias; e as fêmeas felinas possuem ovulação induzida pelo coito. Essa imagem também ilustra a possibilidade real de multiparidade de fetos de idades gestacionais diferentes. 

Nem sempre a presença de corpus luteum indica gestação vigente, uma vez que ele sempre segue a liberação de óvulos dos folículos; mas sua presença é imprescindível para a manutenção de uma prenhez.  

sábado, 31 de março de 2012

Piometra de coto uterino - algumas apresentações




As imagens acima foram obtidas em exames ultrassonográficos diferentes de algumas pacientes da espécie canina; elas representam algumas formas de apresentação da afecção infecciosa de coto uterino.

Note os tamanhos variados de coto, a quantidade e as ecogenicidade e ecotextura variadas. 

Esse é um quadro mais comumente observado em paciente da espécie canina e normalmente os sinais aparecem poucos dias após a ovariosalpingohisterectomia (OSH). A explicação para esse acometimento para estar na frouxidão do miometro previamente dilatado pela gravidez, piometra ou cio, combinada ao excesso de tecido uterino deixado pelo cirurgião. A existência prévia de piometra não é um fator totalmente predisponente à formação de piometra de coto uterino, porém pode ser um agravante.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Sonda uretral em um gato



Proprietário relata anúria. Paciente da espécie felina, sexo masculino. 

A principal suspeita é obstrução uretral, muitas vezes causada por sedimentos acumulados no local, formando o "plug". Os sedimentos urinários em felinos podem ter diversas origens, sendo as principais a mudança de pH urinário devido à alimentação e à idade do paciente, a pirexia crônica e a presença de cálculos de grande porte, tanto de estruvita quanto de oxalato.

Este paciente já havia sido atendido e sondado, por isso podemos observar a sonda neste exame.

Abaixo observa-se a causa provável deste quadro neste paciente: coágulos em grande quantidade e de grande porte são vistos nessa imagem (diferencia-se coágulo de cálculo ao visualizar sombra acústica no segundo).