terça-feira, 8 de julho de 2014

Aplicações ultrassonográficas

A ultrassonografia é um exame complementar de imagem que auxilia o clínico médico veterinário a guiar seus diagnósticos, logo é importante saber todas as aplicabilidades desta modalidade.

A mais conhecida é a ecografia abdominal, utilizada para diagnóstico e acompanhamento gestacional e para a avaliação morfológica dos órgãos, glândulas e estruturas locais. Por ser um exame que detecta movimentos, é possível também avaliar peristaltismo intestinal, motilidade fetal, infusões de fármacos, drenagem e centeses, dinâmica vascular com a combinação do método Doppler e outros, que incluem as coletas de materiais com a visualização constante da agulha.

Este exame de imagem ainda permite a localização de plexos vasculares e nervosos para injeção de bloqueios anestésicos locais, coleta de sangue e oximetria arterial. A musculatura e possíveis nódulos subcutâneos, epiteliais e/ou musculares também podem ser escaneados por este método, que combinado ao Doppler e outros parâmetros, pode fornecer informações sobre vascularização, tamanho, aspecto, implantação, forma, origem; todas úteis na determinação de um prognóstico sobre benignidade ou malignidade de uma lesão. O sistema linfático periférico pode se encaixar neste momento. 

O pescoço é outra região que pode ser ultrassonografada, abrindo uma janela para linfonodos, glândulas, traquéia, esôfago, vasos, língua, hióide e tireóide/paratireóide.

O encéfalo de animais até 10 kg de peso vivo também pode ser parcialmente avaliado, jogando luz sobre suspeitas de massas, hidrocefalia e outras. Ainda na cabeça podemos observar o globo ocular inteiro, desde a superfície corneana até o fundo, passando pela câmara anterior, lente, corpo ciliar e vítreo.

Coração e vascularização central, juntamente com cavidade torácica e superfície pulmonar são amplamente visualizados na ultrassonografia e têm suas anatomias e movimentos facilmente detectados. 

Com menor aplicação, porém ainda possível, a superfície óssea é outra área visível ao ultrassonografista, que pode detectar até pequenos edema periósteos, fraturas e fissuras. 

Ainda temos o ultrassom combinado ao constraste líquido e no futuro por microbolhas, que chegará a fornecer informações ditas microscópicas. 

Consulte seu ultrassonografista para saber mais sobre preparo pré-exame e materiais necessários caso opte por uma modalidade não usual do exame. 




terça-feira, 10 de junho de 2014

O ultrassonografista

A ultrassonografia é um exame dito operador dependente, ou seja, a habilidade do médico veterinário que manipula o aparelho de ultrassom reflete diretamente na qualidade das imagens obtidas. 

Além de ser dono de uma técnica manual e mecânica adequada, o ultrassonografista deverá adquirir e expandir sua capacidade mental de criação e armazenamento de figuras. 

Todos os dias formas e tonalidades aparecerão em frente aos olhos do operador e seu banco de dados mental ficará mais rico. 



Entrará em ação seu senso criítico obtido durante os estudos de clínica médica para analisar, julgar e sugerir diagnósticos a partir de uma imagem. 

Reunindo todas as informações gestadas durante o exame, o ultrassonografista redigirá o laudo do exame, relatando as alterações fisicas das estruturas observadas e indicando o que isto pode significar. 

Muitas vezes uma alteração não é patognomônica (não é característica clássica e diagnóstica de uma doença) e pode indicar várias enfermidades. Por isso a ultrassonografia, os outros exames de imagem, a avaliação clínica e os exames laboratoriais devem sempre trabalhar juntos e concomitantes. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O que é ecografia?

O que é a ultrassonografia? 

Muitos dos leitores aqui são médicos veterinários, outros felizes proprietários de cães, gatos, chinchilas, pássaros (...), alguns ultrassonografistas e - arrisco dizer - todos curiosos, que acham interessante uma ou outra palavra, um ou outro tema como o famigerado "corpos estranhos". Mas essas imagens misteriosas que aparecem na tela não são fruto da imaginação do imaginologista (como esta definição pode erroneamente sugerir) são fruto de um fenômeno físico muito simples, o eco. Sim, ecografia é uma palavra que deriva do grego, sendo a junção de "echo" com "graphus". Echos realmente significa eco, que por definição portuguesa quer dizer "Repetição de um som reenviado por um corpo duro"; já graphus pode-se dizer que dependendo do contexto queira dizer descrição, escrita, grafia. 

Perfeito, então as imagens em muitas tonalidades e subtonalidades de cinza são a visualização do eco sonográfico? Exatamente. 

Basicamente o transdutor emite uma vibração sonora muito alta, o ultrassom (inaudível a nós seres humanos e à maioria dos animais com que lidamos em nosso dia-a-dia veterinário, pois ultrapassa os 20 KHz, ou 20.000 Hz) que encontra um tecido ou líquido no seu caminho, que possui certamente um grau de refração sonora, que retorna ao transdutor, é recebida pelos cristais pizoelétricos e interpretada pelo software do aparelho e transformada em uma imagem, que, com muito treino, é observada e julgada pelos olhos e conhecimento técnico do ultrassonografista. 

Geralmente, na ultrassonografia transparietal abdominal de cães e gatos, usamos frequências que variam de 5,0 MHz até 10,0 MHz. Muitíssimo altas. Por isso temos a necessidade de remover os pêlos abdominais dos pacientes que avaliamos, afinal, sua função de reter ar entre ele e a pele para manter a temperatura de um mamífero homeotérmico adequada é muito eficaz, conferindo ao ultrassom mais uma barreira ecográfica, já que as ondas sonoras viajam em linha reta, como as de rádio. É tambem por este motivo, que mudamos a frequência sonora do nosso transdutor diversas vezes durante um exame. 

Os sons de frequência mais baixa geram ondas com maior capacidade de alcance, porém menores, ou mais "chatas", piorando a qualidade do resultado final, enquanto que os sons de maior frequência são compostos por ondas maiores, ou mais "altas", que percorrem distâncias menores mas geram respostas ecográficas melhores. "As rádios FM possuem excelente qualidade de som mas tem alcance limitado (em media 100 quilômetros de raio)" (http://www.significados.com.br/fm/).

A ultrassonografia nos auxilia a observar o interior de um abdômen, por exemplo, sem a necessidade de abri-lo cirurgicamente.
Além do abdômen, tudo aquilo que permite a passagem do som no será descortinado para a visão do observador. Músculos, vasos, linfonodos, órgãos, tecidos, gordura, massas... Até a superfície dos ossos terá delineamento, podendo indicar alterações de trajeto, contorno e forma.

Desde de o começo de sua aplicabilidade, mais ou menos nos idos dos anos 1960 (...), a ultrassonografia evolui com o auxílio de softwares e telas de melhor resolução, passando de uma complicada operação que envolvia uma tina cheia d`'agua onde o paciente era submerso até pequenos aparelhos portáteis com a possibilidade de serem contectados diretamente ao aparelho smartphone.

Atualmente, na medicina veterinária a ultrassonografia é bastante utilizada para a avaliação abdominal e cardíaca, podendo englobar o encéfalo (quando o animal possui porte inferior a 10kg), os globos oculares, o pescoço e todas as suas estruturas, a parede torácica, a superficie pulmonar, a cavidade torácica, o coração e seus principais vasos, a musculatura e a vascularização central e periférica, o abdômen, os contornos ósseos, os linfonodos.

  

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Emergências: a importância da ultrassonografia





FAST é a sigla de Focused Assessment with Sonography for Trauma, o que numa tradução livre quer dizer acesso focado para o trauma com sonografia/ultrassonografia. É uma modalidade de ultrassonografia utilizada em casos de acidentes que possam causar ruptura de órgãos internos e, comumente, sangramento. 

Os locais a serem avaliados neste momento são o saco pericárdico, o espaço perihepático ou recesso hepatorrenal ou bolsa de Morrison, o espaço periesplênico e a região pélvica, pois aí encontram-se os órgãos vitais e aqueles parenquimatosos com maior possibilidade de fratura. A bexiga também é sujeita à ruptura, especialmente quando o acidente ocorre quando o animal a possui cheia de urina, então é importante sempre que detectado líquido livre em cavidade abdominal, aspirá-lo com agulha fina descartável para visualização macroscópica e delineação de diagnóstico e prognóstico do quadro em questão. 

Por ser um órgão abdominal bastante superficial, o baço é altamente sujeito a ocorrências injuriantes. Seu tecido altamente vascularizado e a fina cápsula como invólucro, tornam-o frágil e suscetível a sangramentos graves que podem ocasionar o óbito do paciente. 

O FAST estendido ou extendend FAST/eFAST adiciona à avaliação de emergência a visualização dos lobos pulmonares para a pesquisa de pneumotórax. Estudos dão conta de que a ultrassonografia é mais sensível para estes casos do que a tomografia computadorizada e a radiografia torácica, podendo ser realizado em apenas um ou dois minutos que podem ser cruciais para a manutenção da vida do acidentado. 

Referências bibliográficas:
BLAIVAS, M.; LYON, M.; DUGGAL, S.A. Academic Emergency Medicine 12, 844-9. 2005
SCALEA, T.; RODRIGUEZ, A.; CHIU, W. et al "Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST): results from an international consensus conference. Journal of Trauma 46, 466-72.1999
ZHANG, M.; LIU, Z.H.; JANG, J.X. et al. Critical Care 10, R112. 2006

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ultrassonografia gestacional: quando intervir?






A ultrassonografia abdominal transparietal simples é um método amplamente utilizado na rotina clínica veterinária para a avaliação e/ou diagnóstico gestacional de um sem número de espécies animais, especialmente dos mamíferos de estimação como os cães e os gatos. 

Muitos parâmetros podem ser avaliados, destacando-se a idade gestacional, o desenvolvimento fetal, a viabilidade dos fetos, a movimentação corporal e outros. 

Estudos recentes apontam para uma alta taxa de acerto da idade gestacional em casos estimados abaixo de 58 dias de gestação, pois até esta idade, os fetos ainda apresentam etapas de desenvolvimento claras, com aparecimento gradual de ossos e órgãos específicos para a época, porém, após o quinquagésimo oitavo dia, a maioria dos órgãos já é visível, tornando muito dificultosa a identificação precisa dos dias subsequentes. É neste período que o ultrassonografista se depara com a questão do título: quando intervir? É necessário cesárea? 

Acreditava-se até pouco tempo que a motilidade intestinal ou peristaltismo era o principal padrão de referência, mas com o desenvolvimento da técnica, chegou-se à conclusão que a motilidade intestinal pode aparecer a partir do quinquagésimo quinto dia de gestação e que sua intensidade e vigor tendem a aumentar com o maior desenvolvimento fetal; também concluiu-se que a gestação em algumas cadelas pode durar apenas 58 dias e que em outras, pode atingir com facilidade 63 dias corridos. 

Como o surfactante pulmonar em cães - acredita-se que em gatos também - só aparece nos dois últimos dias da gestação, adiantar o parto através da cesárea pode ser fatal para os fetos, que seriam incapazes de respirar corretamente, por isso estudos atuais apontam para a priorização da observação cuidadosa dos batimentos cardíacos fetais. 

Um feto com batimentos cardíacos normais apresenta pelo menos o dobro da frequência da mãe, ou seja, aproximadamente 220-280 BPM (variando conforme o porte, a raça, a índole, o comportamento, o escore corporal da mãe). Abaixo disso, pode ser que o avaliado esteja dormindo ou em verdadeiro sofrimento fetal. Primeiramente deve-se acompanhar para se ter certeza da oscilação constante ou frequente dos batimentos; caso constate-se verdadeiro sofrimento fetal ou oscilação frequente e desordenada dos batimentos cardíacos ou frequência cardíaca constantemente abaixo de 200 BPM, este feto deve ser prioridade e a intervenção cirúrgica deve ser realizada o mais depressa possível, pois são grandes as chances de perda deste filhote. 

Referências bibliográficas:

Aula da M.V. Esp., Msc Daniela P. Ayres Garcia no curso de pós-graduação em diagnóstico por imagem veterinário do IBVet, 2013.