quarta-feira, 9 de abril de 2014

O que é ecografia?

O que é a ultrassonografia? 

Muitos dos leitores aqui são médicos veterinários, outros felizes proprietários de cães, gatos, chinchilas, pássaros (...), alguns ultrassonografistas e - arrisco dizer - todos curiosos, que acham interessante uma ou outra palavra, um ou outro tema como o famigerado "corpos estranhos". Mas essas imagens misteriosas que aparecem na tela não são fruto da imaginação do imaginologista (como esta definição pode erroneamente sugerir) são fruto de um fenômeno físico muito simples, o eco. Sim, ecografia é uma palavra que deriva do grego, sendo a junção de "echo" com "graphus". Echos realmente significa eco, que por definição portuguesa quer dizer "Repetição de um som reenviado por um corpo duro"; já graphus pode-se dizer que dependendo do contexto queira dizer descrição, escrita, grafia. 

Perfeito, então as imagens em muitas tonalidades e subtonalidades de cinza são a visualização do eco sonográfico? Exatamente. 

Basicamente o transdutor emite uma vibração sonora muito alta, o ultrassom (inaudível a nós seres humanos e à maioria dos animais com que lidamos em nosso dia-a-dia veterinário, pois ultrapassa os 20 KHz, ou 20.000 Hz) que encontra um tecido ou líquido no seu caminho, que possui certamente um grau de refração sonora, que retorna ao transdutor, é recebida pelos cristais pizoelétricos e interpretada pelo software do aparelho e transformada em uma imagem, que, com muito treino, é observada e julgada pelos olhos e conhecimento técnico do ultrassonografista. 

Geralmente, na ultrassonografia transparietal abdominal de cães e gatos, usamos frequências que variam de 5,0 MHz até 10,0 MHz. Muitíssimo altas. Por isso temos a necessidade de remover os pêlos abdominais dos pacientes que avaliamos, afinal, sua função de reter ar entre ele e a pele para manter a temperatura de um mamífero homeotérmico adequada é muito eficaz, conferindo ao ultrassom mais uma barreira ecográfica, já que as ondas sonoras viajam em linha reta, como as de rádio. É tambem por este motivo, que mudamos a frequência sonora do nosso transdutor diversas vezes durante um exame. 

Os sons de frequência mais baixa geram ondas com maior capacidade de alcance, porém menores, ou mais "chatas", piorando a qualidade do resultado final, enquanto que os sons de maior frequência são compostos por ondas maiores, ou mais "altas", que percorrem distâncias menores mas geram respostas ecográficas melhores. "As rádios FM possuem excelente qualidade de som mas tem alcance limitado (em media 100 quilômetros de raio)" (http://www.significados.com.br/fm/).

A ultrassonografia nos auxilia a observar o interior de um abdômen, por exemplo, sem a necessidade de abri-lo cirurgicamente.

--- A continuar

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Emergências: a importância da ultrassonografia





FAST é a sigla de Focused Assessment with Sonography for Trauma, o que numa tradução livre quer dizer acesso focado para o trauma com sonografia/ultrassonografia. É uma modalidade de ultrassonografia utilizada em casos de acidentes que possam causar ruptura de órgãos internos e, comumente, sangramento. 

Os locais a serem avaliados neste momento são o saco pericárdico, o espaço perihepático ou recesso hepatorrenal ou bolsa de Morrison, o espaço periesplênico e a região pélvica, pois aí encontram-se os órgãos vitais e aqueles parenquimatosos com maior possibilidade de fratura. A bexiga também é sujeita à ruptura, especialmente quando o acidente ocorre quando o animal a possui cheia de urina, então é importante sempre que detectado líquido livre em cavidade abdominal, aspirá-lo com agulha fina descartável para visualização macroscópica e delineação de diagnóstico e prognóstico do quadro em questão. 

Por ser um órgão abdominal bastante superficial, o baço é altamente sujeito a ocorrências injuriantes. Seu tecido altamente vascularizado e a fina cápsula como invólucro, tornam-o frágil e suscetível a sangramentos graves que podem ocasionar o óbito do paciente. 

O FAST estendido ou extendend FAST/eFAST adiciona à avaliação de emergência a visualização dos lobos pulmonares para a pesquisa de pneumotórax. Estudos dão conta de que a ultrassonografia é mais sensível para estes casos do que a tomografia computadorizada e a radiografia torácica, podendo ser realizado em apenas um ou dois minutos que podem ser cruciais para a manutenção da vida do acidentado. 

Referências bibliográficas:
BLAIVAS, M.; LYON, M.; DUGGAL, S.A. Academic Emergency Medicine 12, 844-9. 2005
SCALEA, T.; RODRIGUEZ, A.; CHIU, W. et al "Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST): results from an international consensus conference. Journal of Trauma 46, 466-72.1999
ZHANG, M.; LIU, Z.H.; JANG, J.X. et al. Critical Care 10, R112. 2006

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ultrassonografia gestacional: quando intervir?






A ultrassonografia abdominal transparietal simples é um método amplamente utilizado na rotina clínica veterinária para a avaliação e/ou diagnóstico gestacional de um sem número de espécies animais, especialmente dos mamíferos de estimação como os cães e os gatos. 

Muitos parâmetros podem ser avaliados, destacando-se a idade gestacional, o desenvolvimento fetal, a viabilidade dos fetos, a movimentação corporal e outros. 

Estudos recentes apontam para uma alta taxa de acerto da idade gestacional em casos estimados abaixo de 58 dias de gestação, pois até esta idade, os fetos ainda apresentam etapas de desenvolvimento claras, com aparecimento gradual de ossos e órgãos específicos para a época, porém, após o quinquagésimo oitavo dia, a maioria dos órgãos já é visível, tornando muito dificultosa a identificação precisa dos dias subsequentes. É neste período que o ultrassonografista se depara com a questão do título: quando intervir? É necessário cesárea? 

Acreditava-se até pouco tempo que a motilidade intestinal ou peristaltismo era o principal padrão de referência, mas com o desenvolvimento da técnica, chegou-se à conclusão que a motilidade intestinal pode aparecer a partir do quinquagésimo quinto dia de gestação e que sua intensidade e vigor tendem a aumentar com o maior desenvolvimento fetal; também concluiu-se que a gestação em algumas cadelas pode durar apenas 58 dias e que em outras, pode atingir com facilidade 63 dias corridos. 

Como o surfactante pulmonar em cães - acredita-se que em gatos também - só aparece nos dois últimos dias da gestação, adiantar o parto através da cesárea pode ser fatal para os fetos, que seriam incapazes de respirar corretamente, por isso estudos atuais apontam para a priorização da observação cuidadosa dos batimentos cardíacos fetais. 

Um feto com batimentos cardíacos normais apresenta pelo menos o dobro da frequência da mãe, ou seja, aproximadamente 220-280 BPM (variando conforme o porte, a raça, a índole, o comportamento, o escore corporal da mãe). Abaixo disso, pode ser que o avaliado esteja dormindo ou em verdadeiro sofrimento fetal. Primeiramente deve-se acompanhar para se ter certeza da oscilação constante ou frequente dos batimentos; caso constate-se verdadeiro sofrimento fetal ou oscilação frequente e desordenada dos batimentos cardíacos ou frequência cardíaca constantemente abaixo de 200 BPM, este feto deve ser prioridade e a intervenção cirúrgica deve ser realizada o mais depressa possível, pois são grandes as chances de perda deste filhote. 

Referências bibliográficas:

Aula da M.V. Esp., Msc Daniela P. Ayres Garcia no curso de pós-graduação em diagnóstico por imagem veterinário do IBVet, 2013. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Chinchilas: mais uma espécie para o diagnóstico por imagem


Chinchilas ou Chinchillidae lanigera. ou Chinchillidae brevicaudata são mamíferos roedores de porte médio naturais das altas montanhas andinas na América do Sul. Seus hábitos são noturnos, por isso muitos proprietários os julgam preguiçosos e apáticos. Na natureza são considerados animais em sérios riscos de extinção, pois já foram largamente predados por seres humanos em busca de peles viçosas para casacos e outros itens de vestuário. 

Atualmente há no Chile a Reserva Natural de las Chinchillas, criada em 1983 com o objetivo de proteger a espécie e conservar seu habitat natural, já que sua alimentação e moradia dependem diretamente da planta puya-azul ou Puya berteroniana

Como por muitos anos as chinchilas foram criadas em cativeiro afim de ser obter pele de origem controlada, pouco se sabe acerca da sua alimentação completa, expectativa de vida e outros. Acredita-se que sendo criada como animal de estimação, uma chinchila possa viver até vinte anos, o que contribuiria para o diagnóstico de doenças relacionadas à senilidade como as neoplasias.

Referências bibliográficas:

DE LUCENA, Ricardo Barbosa. DOENÇAS DE CHINCHILAS (Chinchilla lanigera). Tese de doutorado Universidade Federal de Santa Maria - RS. 2012

domingo, 18 de agosto de 2013

Dioctophyma renale em um cão





O Dioctophyma renale é um nematóide conhecido como o parasita gigante dos rins. Sua ocorrência é mundial e adultos podem ser encontrados nos rins de cães, gatos, animais silvestres e até do homem. 

Seu ciclo evolutivo é indireto, tendo como hospedeiro intermediário um anelídeo oligoqueta que parasita as brânquias de peixes e crustáceos e o hospedeiro definitivo algum dos mamíferos mencionados anteriormente. 

Geralmente os cães de hábitos alimentares pouco seletivos - os hospedeiros definitivos são contaminados ao ingerir carne de peixe crua ou mal cozida, especialmente o fígado, ou mesmo o próprio anelídeo aquático contaminado com a forma larval do Dioctophyma renale - e que vivem em ambientes alagadiços ou com rios e lagos são os mais acometidos, por isso não é raro encontrar o parasita no rim de lobos guarás (Chrysocyon brachyurus).

Normalmente o Dioctophyma renale é encontrado no rim direito; acredita-se que a maior incidência da parasitose no rim direito aconteça devido à sua proximidade com o duodeno. Também não é incomum encontrar o nematóide livre na cavidade abdominal, já que o parasita migra através da parede intestinal após ingerido. O parasita penetra a cápsula renal e se aloja no interior do órgão, destruindo seu parênquima com secreção das glândulas esofagianas de forte ação histolítica. Dessa maneira o rim parasitado fica reduzido exclusivamente à cápsula preenchida por conteúdo sanguinolento onde o parasita fica imerso.

Como normalmente apenas um rim é parasitado, o contra lateral sofre hipertrofia compensatória facilmente detectada através da ultrassonografia abdominal. 

Os sinais clínicos do hospedeiro definitivo parasitado são pouco específicos, incluindo apatia, emaciação progressiva, arqueamento do dorso, dor abdominal e hematúria. Em animais de pequeno porte é possível notar aumento de volume abdominal na região do rim direito. Ao exame de sangue pode-se notar sinais de insuficiência renal como uremia, além de neutrofilia decorrente de uma possível peritonite causada pela migração do parasita na cavidade abdominal. Alguns animais ainda podem apresentar encefalopatia urêmica e por isso demonstrarem sinais neurológicos como andar cambaleante, mudanças bruscas de comportamento, síncopes, desmaios e quadros convulsivos. 

As formas de diagnóstico incluem a ultrassonografia abdominal e a identificação de ovos do parasita na urinálise; alguns vermes jovens também podem ser eliminados através da urina, então é possível notá-los macroscopicamente. 

O único tratamento para a parasitose é a remoção cirúrgica do rim afetado e a correção clínica das alterações decorrentes da insuficiência renal. 

Referências bibliográficas:

ALVES, Gislaine Caetano; SILVA, Denise Theodoro; NEVES, Maria Francisca. Dioctophyma renale: o parasita gigante do rim. http://revista.inf.br/veterinaria08/revisao/13.pdf (acessado em 18 de agosto de 2013, às 23h35).