domingo, 24 de janeiro de 2016

Massas abdominais complexas

Algumas massas abdominais ditas complexas envolvem todo o local de visualização, não permitindo que se determine com facilidade a origem ou sequer a localização exata da formação (GAMMELL et al, 1999; ANDRADE NETO et al, 2011).

"A ultrassonografia é ferramenta importante na avaliação das massas anexiais e na definição de diagnósticos diferenciais destas condições. Em crianças, diante da limitação do exame clínico, a ultrassonografia por via abdominal torna-se preferencial na investigação complementar." (ANDRADE NETO et al, 2011)

A medicina veterinária pode em muito ser comparada às limitações e situações enfrentadas pelos pediatras humanos, visto que os pacientes em ambos os casos não são plenamente capazes de emitirem seus sentimentos ou contar seu histórico. Por isso, muitas vezes, o médico veterinário se depara com um paciente que apresenta, "desde ontem", um aumento expressivo de volume abdominal. 

Eis que o ultrassonografista é requisitado para a avaliação e entre a preparação do paciente e seu posicionamento na mesa, diversas possibilidades de diagnóstico vão inundando a cabeça do profissional. 

Muitas vezes o aumento de volume abdominal advém de hiperadrenocorticismo e adelgaçamento da parede muscular abdominal, noutras a alteração provém de líquido livre abdominal (de diversas causas) e, mais incomumente, de uma grande massa abdominal (GAMMELL, 1999). 

Neoplasias de origem glandular podem adquirir formatos variados e geralmente possuem aspecto heterogêneo e irregular, além de normalmente adquirirem tamanhos espetaculares, já que seu desenvolvimento é, muitas vezes, silencioso. Dentre as glândulas de destaque se incluem a próstata, os ovários e as adrenais (FLEISCHER et al, 2012; FOUAD et al, 2015; MAKI et al, 2014). 

Outras neoformações conhecidas por terem tamanhos extremos e aspecto visual sonográfico grosseiro são os sarcomas, destacando-se o hemangiossarcoma (YOON, 2014). 

Referências bibliográficas:

ANDRADE NETO, Francisco; PALMA-DIAS, Ricardo; COSTA, Fabrício da Silva. Ultrassonografia nas massas anexiais: Aspecto de imagem. Radiologia Brasileira, vol. 44 no 1 São Paulo Jan/Feb 2011


FLEISCHER, Arthur C.; LYSHSCHIK; Andrej; HIRARI, Makiko; MOORE, Ryan D.; ABRANSON, Richard G.; FISHMAN, David A. Early Detection of Ovarian Cancer with Conventional and Contrast-Enhanced Transvaginal Sonography: Recent Advances and Potential Improvements. Journal of Oncology, 2012
FOUAD Aoun, Ksenija Limani, Alexandre Peltier, Quentin Marcelis, Marc Zanaty, Alexandre Chamoun, Marc Vanden Bossche, Thierry Roumeguère, and Roland van Velthoven, “High Intensity Focused Ultrasound versus Brachytherapy for the Treatment of Localized Prostate Cancer: A Matched-Pair Analysis,” Advances in Urology, vol. 2015, pp. 1–9, 2015

GAMMEL, S.; BEATTIE, D.K.; THOMSON, H. H. Difficulties in the diagnosis of an intra-abdominal mass. Postgraduate Medical Journal, vol 75 is 887 1999

MAKI, Erik; OH, Karen; ROGERS, Sarah; SOHAEY, Roya. Imaging and differencial diagnosis of suprarenal masses in the fetus. Journal of Ultrasound in Medicine, vol 33 no 05, 2014

YOON, Hun-Young; KANG, Hye-Mi; LEE, Mi-Young. Primary cranial mediastinal hemangiosarcoma in a young dog. Irish Veterinary Journal, 2014

    segunda-feira, 22 de junho de 2015

    Hiperplasia endometrial cística

    A hiperplasia endometrial cística é uma resposta anormal ao estímulo contínuo e crônico de progesterona, Cadelas geralmente apresentam a alteração isolada quando acima de seis anos de idade, podendo levar ao acúmulo de mucina estéril em lúmen uterino e à consequente formação de hidro ou mucometra, que podem tornar-se sépticas e caracterizar a piometra (NYLAND & MATTOON, 2002).





    Referência

    NYLAND & MATTOON. Small Animal Diagnostic Ultrasound. Saunders, 2002. 

    terça-feira, 5 de maio de 2015

    Anomalia renal unilateral em um cão






    Canídeo de aproximadamente três anos de idade, sem raça definida, do gênero masculino, reprodutivamente ativo, porte médio. Foi atendido na clínica veterinária por apresentar disúria e/ou anúria, disquesia e hipo ou anorexia. 

    Ao exame ultrassonográfico notou-se diversas formações arredondadas e de superfície lisa e hiperecóica sedimentadas em lúmen de vesícula urinária (paciente em decúbito dorsal), produzindo intensa e límpida sombra acústico posterior. Cada uma das estruturas media aproximadamente 1,00 cm de diâmetro, quando era possível isolá-las para mensuração, já que à manobra de balotamento, devido ao peso, os cálculos não flutuavam tão facilmente. 

    A próstata do paciente apresentava dimensões aumentadas e heterogeneidade notável de parênquima, com características raiadas e singulares. 

    Era possível observar espessamento discreto da parede da bexiga, já que sua repleção era intensa, mesmo com a sonda uretral presente e bem posicionada - característica constatada através da ultrassonografia. A face interna parietal apresentava claros sinais de desprendimento e hiperecogenicidade notável, formando estrias parcialmente aderidas à parede. 

    O rim direito era facilmente visível devido ao tamanho expressivo de aproximadamente 10,0 cm de comprimento em eixo longitudinal, destacando o parênquima de seu estrato cortical intensamente hiperecóico e estriado, com aspecto raiado e regular, comprimindo concentricamente a camada medular e mantendo intacto o padrão de diferenciação córtico-medular. Seu contorno externo próprio era regular, porém seu formato arredondado, imagem reforçada pela presença de intenso derramamento líquido subcapsular generalizado. 

    O ureter correspondente ao rim afetado era visível até sua porção mediana por apresentar calibre de aproximadamente 0,57 cm, distendido por líquido anecóico, com paredes regulares e trajeto moderadamente tortuoso. 

    Ao redor do rim direito e ao longo de todo o hemiabdômen de mesmo lado, havia líquido livre em cavidade abdominal e hiperecogenicidade do peritônio e da gordura locais, sendo o líquido de aparência sonográfica heterogênea devido aos diversos ecos puntiformes flutuantes em seu meio. 

    As características imaginológicas das alterações poderiam sugerir ruptura de ureter direito, logo o paciente foi encaminhado ao centro cirúrgico para laparotomia exploratória de urgência. 

    A cirurgiã responsável pelo procedimento relata aderência intensa e de difícil remoção do rim direito em musculatura dorsal, presença de líquido livre em cavidade abdominal com aspecto de urina e peritonite focal notável. Ainda de acordo com a médica veterinária, o ureter direito não apresentava sinais de descontinuidade parietal. 

    A origem da urina em cavidade abdominal pode advir da dificuldade de esvaziamento vesical, provocando adelgaçamento da parede da bexiga por distensão e extravasamento de conteúdo à cavidade, causando peritonite pelo próprio contato com o líquido irritante. 

    quarta-feira, 22 de outubro de 2014

    Índice de resistividade

    O índice de resistividade refere-se à resistência física que a parede vascular exerce no fluxo sangüíneo. Seu cálculo é feito com a seguinte fórmula: pico diastólico-vale diastólico/pico diastólico, valores obtidos através do Doppler ultrassonográfico. 

    Na medicina humana a avaliação do índice de resistividade (IR) da vascularização renal tem se mostrado uma ferramenta útil para o prognóstico e até diagnóstico mais preciso de doenças como nefropatia(s) aguda(s) ou falência renal aguda, obstrução do trato urinário superior ou inferior, nefropatias intrínsecas do parênquima, doenças vasculares locais e neoplasias primárias (TUBLIN et al, 2003; NEWELL et al, 1999; POLLARD et al, 1999; NYLAND et al, 1993; POZNIAK et al, 1988).

    O IR inferior a 0,70 é considerado normal para as artérias interlobares ou segmentais e para as arqueadas (localizadas na junção entre os estratos cortical e medular). Uma maior resistência vascular pode resultar em diminuição do fluxo diastólico e aumento relativo do pico sistólico, tornando mais alto o valor do IR como pode-se observar na imagem que ilustra essa publicação (NYLAND et al, 2002).

    Este aumento do IR em casos de nefropatias crônicas previamente detectadas através da combinação conhecida de exame ultrassonográfico e bioquímico pode indicar maior fibrose tecidual e por conseqüência resulta em um prognóstico reservado. 


    Referências:
    NEWELL et al. Scintigraphic, sonographix and histologic evaluation of renal autotransplantation in cats. Am J Vet Res, 60:775-779. 1999.
    NYLAND et al. Diagnosis of urinary tract obstruction in dogs using duplex Doppler ultrasonography. Vet Radiol Ultrasound, 34:348-352, 1993.
    NYLAND et al. Small Animal Diagnostic Ultrasound. Saunders, 2002.
    POLLARD et al. Ultrasonographic evaluation of renal autografts in normal cats. Vet Radiol Ultrasound, 40:380-385, 1999
    POZNIAK et al. Extraneous factors affecting resistive index. Invest Radiol, 23: 889904, 1988
    TUBLIN, M., BUDE, R.O. & PLATT, J.F. The resistive index in renal Doppler sonography: Where do we stand?. Am J of Roentg, 180:885-892, 2003.

    terça-feira, 8 de julho de 2014

    Aplicações ultrassonográficas

    A ultrassonografia é um exame complementar de imagem que auxilia o clínico médico veterinário a guiar seus diagnósticos, logo é importante saber todas as aplicabilidades desta modalidade.

    A mais conhecida é a ecografia abdominal, utilizada para diagnóstico e acompanhamento gestacional e para a avaliação morfológica dos órgãos, glândulas e estruturas locais. Por ser um exame que detecta movimentos, é possível também avaliar peristaltismo intestinal, motilidade fetal, infusões de fármacos, drenagem e centeses, dinâmica vascular com a combinação do método Doppler e outros, que incluem as coletas de materiais com a visualização constante da agulha.

    Este exame de imagem ainda permite a localização de plexos vasculares e nervosos para injeção de bloqueios anestésicos locais, coleta de sangue e oximetria arterial. A musculatura e possíveis nódulos subcutâneos, epiteliais e/ou musculares também podem ser escaneados por este método, que combinado ao Doppler e outros parâmetros, pode fornecer informações sobre vascularização, tamanho, aspecto, implantação, forma, origem; todas úteis na determinação de um prognóstico sobre benignidade ou malignidade de uma lesão. O sistema linfático periférico pode se encaixar neste momento. 

    O pescoço é outra região que pode ser ultrassonografada, abrindo uma janela para linfonodos, glândulas, traquéia, esôfago, vasos, língua, hióide e tireóide/paratireóide.

    O encéfalo de animais até 10 kg de peso vivo também pode ser parcialmente avaliado, jogando luz sobre suspeitas de massas, hidrocefalia e outras. Ainda na cabeça podemos observar o globo ocular inteiro, desde a superfície corneana até o fundo, passando pela câmara anterior, lente, corpo ciliar e vítreo.

    Coração e vascularização central, juntamente com cavidade torácica e superfície pulmonar são amplamente visualizados na ultrassonografia e têm suas anatomias e movimentos facilmente detectados. 

    Com menor aplicação, porém ainda possível, a superfície óssea é outra área visível ao ultrassonografista, que pode detectar até pequenos edema periósteos, fraturas e fissuras. 

    Ainda temos o ultrassom combinado ao constraste líquido e no futuro por microbolhas, que chegará a fornecer informações ditas microscópicas. 

    Consulte seu ultrassonografista para saber mais sobre preparo pré-exame e materiais necessários caso opte por uma modalidade não usual do exame.