segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Líquido livre em cavidade abdominal




Muitas vezes o ultrassonografista se depara com líquido livre abdominal. Normalmente este é um motivo de grande preocupação clínica, pois pode representar várias afecções diferentes, inclusive as de ordem sistêmica.

Quando observado em cães, pode-se pensar em neoplasia abdominal, hipoproteinemia, peritonite, perfuração de órgãos quando há suspeita de corpo estranho, rompimento de bexiga, vasos ou órgãos parenquimatosos altamente irrigados como fígado e baço, afecções cardíacas, shunt portohepático, dentre outros.

Em gatos, as suspeitas recaem comumente em peritonite infecciosa felina (PIF), mas também podem representar as mesmas alterações dos cães. 

Gatos e cães altamente parasitados por ecto e endoparasitas cronicamente podem apresentar hipoproteinemia.

Uma centese ecoguiada desse líquido pode ser muito importante para o diagnóstico diferencial. Para isso, basta posicionar o paciente cooperativo em decúbito dorsal, encontrar a linha alba com o transdutor e localizar uma região afastada da bexiga urinária e de outros órgãos e grandes vasos e aspirar o líquido com uma agulha fina de comprimento compatível com a espessura do subcutâneo do paciente. 

Muitas vezes a presença de líquido não é tão evidente como nesse paciente e um ponto onde ele costuma localizar-se quando em pequena quantidade é aquela dorsal aos lobos hepáticos direito (quando o paciente está em decúbito dorsal) ou a região de "fundo de saco" (caudal à bexiga, em região pélvica). 


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Imagens de pielonefrite em cães e gatos




Essas três imagens representam classicamente sinais ultrassongráficos de pielonefrite em duas espécies distintas, cão e gato. Repare no espessamento da camada cortical, no formato externo arredondado, no aumento da ecogenicidade dessa camada externa e, principalmente, no aumento da ecogenicidade da linha divisória entre as camadas cortical e medular (particularmente evidente na imagem central). 

Naturalmente, outras suspeitas devem ser descartadas, porém, essas imagens já indicam pielonefrite como diagnóstico principal. 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Ultrassom puma (Puma concolor)/Cougar´s ultrasound







Dentre os felídeos que habitam as Américas, o puma (Puma concolor) é o de maior distribuição geográfica, sendo encontrado desde os Andes até o extremo norte canadense. É um animal solitário e muito ativo durante a noite, de aparência extremamente similar ao felinos domésticos, particularmente ao gato da raça abissínio. 

Esse espécime possui aproximadamente 17 anos de idade, é do sexo feminino e pertence ao Parque Zoológico de Curitiba. 

Seu histórico remonta episódios recentes de êmese, hiporexia e abaulamento abdominal, não havendo proximidade da puma com gatos domésticos ou com objetos passíveis de ingestão pela paciente. 

Ao exame ultrassonográfico observou-se diversas formações císticas arredondadas em camada cortical de rim direito e uma lobo hepático acessório. A concomitância de alterações císticas em órgãos parenquimatosos e rins pode sugerir doença renal policística. 

Observe também as formações nodulares em baço e ecotextura grosseira e a ecogenicidade mista de parênquima esplênico relativamente ao parênquima hepático. São alterações compatíveis com hiperplasia nodular benigna, quadro idiopático comum em felinos de idade avançada, sendo recomendada a esplenectomia total devido à possibilidade de malignização indireta do quadro (compressão de outros órgãos, como o estômago, por exemplo, causando êmese intermitente). Essas alterações também podem indicar neoplasia, sendo o exame laboratorial histopatológico indispensável para diferenciação do quadro. 

O estômago estava repleto de gases, dificultando sua visualização completa, impossibilitando a constatação de um possível corpo estranho no local ou até de uma neoplasia de parede gástrica, o que causaria obstrução e êmese.




Amongst the felines that inhabit America, the cougar (Puma concolor) is the one with biggest geographic distribution, being found from the Andes to north Canada. It is a lonely animal, very active at night, that looks almost like a domestic cat, specially similar to the Abyssinian.

This specimen it´s 17 years old, female and belongs to Parque Zoológico de Curitiba (Curitiba's Zoo).

It´s medical history includes recent recurrent emesis, appetite loss and abdominal bulging, not related with foreign objects ingestion or contact with domestic felines (wich could lead to a FIP infection).

THe ultrasound scan shows multiple round-shaped cystic formations on the kidney´s cortical layer and one on the accessory hepatic lob. Cystic displays on liver and kidneys may suggest PKD.

The spleen parenchyma is also more rough and there are nodes on the head of this organ. These are signs that may indicate hyperplasic nodular disease, a benign condition usually observed in old age felines; they can also represent a neoplasic formation, and the only way to distinguish one from another is to do a histopathological evaluation. The splenic nodes can compress the stomach and then cause emesis.

Gases were filling the stomach, making the complete visualization of the organ difficult, wich could hide possible foreign bodies or a stomach neoplasia.

Ultrassom de uma tigresa (Panthera tigris)






A Panthera tigris ou tigre é um felídeo de grande porte que habita principalmente a Rússia, Sibéria, Irã, Cáucaso, Afeganistão, China, Índia e algumas ilhas como Sumatra, Java e Bali. Muitas sub-espécies estão extintas ou em risco eminente de extinção, por isso, deparar-se com um espécime no Zoológico é um grande privilégio. Este mamífero é considerado o maior felino dentre todos (300 kg em média), possuindo presas de até 10 cm de comprimento e garras de 8 cm.

Esta paciente pertence ao Parque Zoológico de Curitiba, e tem aproximadamente 18 anos de idade e peso aproximado de 340 kg. Sendo uma fêmea inteira, nulípara e solitária, o exame ultrassonográfico tinha por objetivo avaliar a cavidade abdominal a fim de procurar por evidências imaginológicas que confirmassem a suspeita de piometra, suscitada devido à hiporexia, apatia e sensibilidade da paciente. 

Note que as imagens sugerem esplenomegalia, uma vez que é possível observar a extremidade caudal do baço tocando na bexiga urinária. Animais de zoológico normalmente apresentam essa alteração, que pode advir do fato de ficarem expostos constantemente a altos níveis de estresse psicológico, o que pode levar a um mimetismo de hiperadrenocorticismo, à parasitose intensa devido à dificuldade de manejo de espécies perigosas ao seres-humanos, e até mesmo à  anestesia em que estão submetidos durante o exame ultrassonográfico. É importante estar atento à ecotextura e a homogeneidade do parênquima esplênico e hepático. 

Quanto ao útero, pode-se observar a presença de conteúdo misto predominantemente hipoecóico em seu lúmen, irregularidade e hiperecogenicidade de camada mucosa e espessamento parietal. Esse conjunto de imagens confirma a suspeita alteração uterina sugestiva de piometra/hemometra/mucometra (a ultrassonografia não é capaz de identificar a natureza do conteúdo), recomendando-se a ovariohisterectomia.

As alterações uterinas não são comumente observadas em pacientes da espécia felina devido às particularidades de seus ciclos reprodutivos como a ovulação induzida pelo coito. 

Presença de gás em bexiga de dois pacientes



Quadros de cistite são comumente encontrados na clínica de cães e gatos, especialmente naqueles de pouca idade ou sob grande estresse físico e até mesmo psicológico.

As imagens observadas acima mostram dois pacientes distintos, de espécies distintas, com quadro clínico semelhante: hematúria, polaquiúria. 
Dentro da bexiga de ambos pode-se visualizar gás intermural, entre o conteúdo urinário escasso e a camada mucosa. Isso justifica-se pela possível infecção por bactérias anaeróbias produtoras de gás. Note também a irregularidade da camada mucosa e o espessamento bastante evidente da parede vesical. 

Quando um animal  tem problemas renais, a concentração/densidade de sua urina fica comprometida e normalmente baixa. Essa baixa densidade urinária abre portas para a entrada e instalação de bactérias oportunistas em bexiga, de maneira intermitente e crônica, senão constante. 

Alguns pacientes diabéticos concentram anomalamente glicose em seus líquidos internos, como os da bexiga e vesícula biliar, o que os torna um meio de cultura bacteriana muito interessante, por isso muitos      portadores dessa doença apresentam gás nessas duas vesículas.