Muitas vezes o ultrassonografista se depara com líquido livre abdominal. Normalmente este é um motivo de grande preocupação clínica, pois pode representar várias afecções diferentes, inclusive as de ordem sistêmica.
Quando observado em cães, pode-se pensar em neoplasia abdominal, hipoproteinemia, peritonite, perfuração de órgãos quando há suspeita de corpo estranho, rompimento de bexiga, vasos ou órgãos parenquimatosos altamente irrigados como fígado e baço, afecções cardíacas, shunt portohepático, dentre outros.
Em gatos, as suspeitas recaem comumente em peritonite infecciosa felina (PIF), mas também podem representar as mesmas alterações dos cães.
Gatos e cães altamente parasitados por ecto e endoparasitas cronicamente podem apresentar hipoproteinemia.
Uma centese ecoguiada desse líquido pode ser muito importante para o diagnóstico diferencial. Para isso, basta posicionar o paciente cooperativo em decúbito dorsal, encontrar a linha alba com o transdutor e localizar uma região afastada da bexiga urinária e de outros órgãos e grandes vasos e aspirar o líquido com uma agulha fina de comprimento compatível com a espessura do subcutâneo do paciente.
Muitas vezes a presença de líquido não é tão evidente como nesse paciente e um ponto onde ele costuma localizar-se quando em pequena quantidade é aquela dorsal aos lobos hepáticos direito (quando o paciente está em decúbito dorsal) ou a região de "fundo de saco" (caudal à bexiga, em região pélvica).














