Pular para o conteúdo principal

Aumento bilateral evidente das glândulas adrenais de um cão




O hiperadrenocorticismo é uma doença endócrina que pode acometer cães e gatos, sendo, porém, mais comum em cães. Existem três causas para o resultado final de excesso de corticoesteróides séricos, o hiperadrenocorticismo hipofisário, o iatrogênico e o neoplásico. 

A ultrassonografia visa avaliar visualmente o tamanho, o formato, a ecogenicidade e a textura das glândulas adrenais e não pode determinar se há ou não um quadro clínico de síndrome de Cushing instalado. 

Este paciente foi encaminhado ao exame de ultrassom devido ao aumento séricos de enzimas hepáticas, dentre elas a ALT e a FA; constatou-se discretas alterações em parênquima hepático, principalmente envolvendo a presença de múltiplos pontos hiperecóicos difusamente distribuídos no órgão, porém, o que mais chamou a atenção foi o aumento bilateral  das glândulas adrenais. 

Observe-as comparando com o tamanho dos rins. 

Este paciente não apresentava sinais clínicos de hiperadrenocorticismo. 

Comentários

  1. Neste caso, poderia confundir as adrenais com alguma formação? Ou pela topografia já diz que é adrenal? Também por ser bilateral né...
    E no fígado, o que seria sugestivo essas alterações que ele tinha?

    ResponderExcluir
  2. e qual a idade do animal? :)

    ResponderExcluir
  3. mariana, nesse caso sabemos ser as adrenais por causa da localização. ajuda o fato de ter como visualizar até onde vai a "massa", notando-se que ela não é aderida ao fígado, ao baço ou mesmo aos rins.
    as alterações em fígado podem até ser decorrência da própria alteração endócrina, que deve existir, mesmo o paciente não apresentando sinais disso.
    a idade aproximada era de 8 anos...
    :)

    ResponderExcluir
  4. muito legal, sempre aprendo coisas novas aqui,
    obrigada :)

    ResponderExcluir
  5. Oi Fernanda!!! Posso lhe enviar uma imagem para q vc me ajude e/ou confirme ou não minha suspeita? Grata.
    Magna.

    ResponderExcluir
  6. oi magna, pode enviar para meu e-mail fernanda.vet@hotmail.com, sim. adoro ajudar colegas!
    abraços!

    mari, obrigada pelo comentário!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Fernanda!!! Te enviarei hoje histórico e imagens. !!!
      Magna.

      Excluir
    2. Oi fernanda, lhe enviei as imagens e historico hoje... Obrigada. Abraço, Magna

      Excluir
  7. Não havia sinais clínicos de hiperadreno mas era?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Anônimo,

      Obrigada por participar :)

      Sim, este paciente não tinha nenhum sinal clínico clássico de hiperadrenocorticismo (PU/PD, adelgaçamento da musculatura abdominal, flacidez, apatia, polifagia...), por isso o caso se tornava emblemático. Ela era acompanhada por uma endocrinologista que inclusive tinha optado, juntamente com o tutor do cão, a não administrar trilostano já que a situação era assintomática.

      Eu já não tenho mais notícia desse caso, mas até então sei que ela só acompanhava com exames de imagem para saber se as adrenais tinham evolução de tamanho.

      Até a próxima!


      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Alterações esplênicas em cães

As alterações esplênicas em cães normalmente são avaliadas de maneira subjetiva pelo ultrassonografista, já que existe uma variação de porte do paciente bastante grande. Ao contrário da esplenomegalia em felinos, que pode ser observada pelo aumento longitudinal do órgão, esta afecção em cães é comumente constatada pelo aumento transversal do mesmo. 
Muitas são as causas da esplenomegalia, sendo importante destacar as hemoparasitoses, as parasitoses intestinais e epiteliais severas e as doenças endócrinas como hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo e diabetes mellitus. 
Além do tamanho, o ultrassonografista deve estar atento à ecogenicidade esplênica, que de acordo com o macete "My Cat Loves Sunny Places" (M=medulla; C=cortex; L=liver - fígado; S=Spleen - baço; P=prostate) deve ser discretamente mais hiperecóica que o fígado e um pouco mais hiperecóica do que a camada cortical dos rins. 
Outro aspecto importante é a ecotextura deste órgão, saudavelmente homogênea e lisa, aco…

O fígado

Muito já comentamos sobre os rins, a bexiga, as afecções gastro-intestinais... Porém, o fígado permanece um assunto meio distante e pouco comentado. De maneira nenhuma isso se dá por falta de interesse ou possibilidades de avaliação, mas sim pela dificuldade que há de se obter um diagnóstico sequer próximo de preciso quando se trata deste grande órgão parenquimatoso. 
Fisiologicamente falando, o fígado é responsável por um sem-número de funções, dentre as quais podemos destacar a secreção de bile (o armazenamento é por conta da vesícula biliar); a estocagem de glicogênio; a síntese proteica; a produção de fatores de coagulação; a metabolização de algumas substâncias para transformá-las em algo útil ou menos nocivo ao organismo; a sintetização de colesterol; a barreira imunológica e a transformação de amônia em ureia. 
O grande desafio no diagnóstico das doenças hepáticas é que nem sempre as alterações imaginológicas são clássicas ou correspondem à realidade clínica e laboratorial do …

Líquido livre em cavidade abdominal

Muitas vezes o ultrassonografista se depara com líquido livre abdominal. Normalmente este é um motivo de grande preocupação clínica, pois pode representar várias afecções diferentes, inclusive as de ordem sistêmica.
Quando observado em cães, pode-se pensar em neoplasia abdominal, hipoproteinemia, peritonite, perfuração de órgãos quando há suspeita de corpo estranho, rompimento de bexiga, vasos ou órgãos parenquimatosos altamente irrigados como fígado e baço, afecções cardíacas, shunt portohepático, dentre outros.
Em gatos, as suspeitas recaem comumente em peritonite infecciosa felina (PIF), mas também podem representar as mesmas alterações dos cães. 
Gatos e cães altamente parasitados por ecto e endoparasitas cronicamente podem apresentar hipoproteinemia.
Uma centese ecoguiada desse líquido pode ser muito importante para o diagnóstico diferencial. Para isso, basta posicionar o paciente cooperativo em decúbito dorsal, encontrar a linha alba com o transdutor e localizar uma região afas…