domingo, 18 de agosto de 2013

Dioctophyma renale em um cão





O Dioctophyma renale é um nematóide conhecido como o parasita gigante dos rins. Sua ocorrência é mundial e adultos podem ser encontrados nos rins de cães, gatos, animais silvestres e até do homem. 

Seu ciclo evolutivo é indireto, tendo como hospedeiro intermediário um anelídeo oligoqueta que parasita as brânquias de peixes e crustáceos e o hospedeiro definitivo algum dos mamíferos mencionados anteriormente. 

Geralmente os cães de hábitos alimentares pouco seletivos - os hospedeiros definitivos são contaminados ao ingerir carne de peixe crua ou mal cozida, especialmente o fígado, ou mesmo o próprio anelídeo aquático contaminado com a forma larval do Dioctophyma renale - e que vivem em ambientes alagadiços ou com rios e lagos são os mais acometidos, por isso não é raro encontrar o parasita no rim de lobos guarás (Chrysocyon brachyurus).

Normalmente o Dioctophyma renale é encontrado no rim direito; acredita-se que a maior incidência da parasitose no rim direito aconteça devido à sua proximidade com o duodeno. Também não é incomum encontrar o nematóide livre na cavidade abdominal, já que o parasita migra através da parede intestinal após ingerido. O parasita penetra a cápsula renal e se aloja no interior do órgão, destruindo seu parênquima com secreção das glândulas esofagianas de forte ação histolítica. Dessa maneira o rim parasitado fica reduzido exclusivamente à cápsula preenchida por conteúdo sanguinolento onde o parasita fica imerso.

Como normalmente apenas um rim é parasitado, o contra lateral sofre hipertrofia compensatória facilmente detectada através da ultrassonografia abdominal. 

Os sinais clínicos do hospedeiro definitivo parasitado são pouco específicos, incluindo apatia, emaciação progressiva, arqueamento do dorso, dor abdominal e hematúria. Em animais de pequeno porte é possível notar aumento de volume abdominal na região do rim direito. Ao exame de sangue pode-se notar sinais de insuficiência renal como uremia, além de neutrofilia decorrente de uma possível peritonite causada pela migração do parasita na cavidade abdominal. Alguns animais ainda podem apresentar encefalopatia urêmica e por isso demonstrarem sinais neurológicos como andar cambaleante, mudanças bruscas de comportamento, síncopes, desmaios e quadros convulsivos. 

As formas de diagnóstico incluem a ultrassonografia abdominal e a identificação de ovos do parasita na urinálise; alguns vermes jovens também podem ser eliminados através da urina, então é possível notá-los macroscopicamente. 

O único tratamento para a parasitose é a remoção cirúrgica do rim afetado e a correção clínica das alterações decorrentes da insuficiência renal. 

Referências bibliográficas:

ALVES, Gislaine Caetano; SILVA, Denise Theodoro; NEVES, Maria Francisca. Dioctophyma renale: o parasita gigante do rim. http://revista.inf.br/veterinaria08/revisao/13.pdf (acessado em 18 de agosto de 2013, às 23h35). 

4 comentários:

  1. Boa tarde Fernanda, acabei de fazer um curso de ultra e como não tenho aparelho resolvi procurar imagens na internet pra não perder o costume...me encantei com seus post ! Primeiro pela sua iniciativa de dividir conosco seus conhecimentos e depois pelo carinho q vc tem com os leitores. Gostaria de saber sua opinião sobre qual aparelho compra e onde comprar. No curso usávamos o dp50 da mindray que eu gostei bastante,mas não conheço outros, então se vc puder me ajudar...
    Beijos

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    1. Que bom saber que tenho colegas interessados cada dia mais na área! Fico também muito feliz de poder ajudar no que eu puder para que cada dia mais o diagnóstico por imagem veterinário fique mais completo e sério :)

      Então, essa pergunta do aparelho é sempre um clássico, mas como sempre é meio difícil respondê-la porque eu não conheço de uso todos os modelos e todas as marcas. Para responder de alguns, só me baseio no que dizem meus colegas e tal. Porém, sou muito fã da marca Mindray e acho que eles têm um ótimo custo-benefício! O DP50 é ótimo e bastante moderno e se você gostou dele e se adaptou bem a ele, realmente recomendo. Se possível, visite alguns centros de diagnóstico e clínicas que tenham um aparelho de ultrassom na sua cidade para tomar uma decisão totalmente consciente, já que a todos os aparelhos é possível se adaptar.

      Agradeço o comentário e a visita! Volte sempre!

      Beijos,

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  2. Boa noite Fernanda,sou eu novamente(do comentário acima). Estou com umas dúvidas com relação ao fígado,será que vc me ajuda??
    Então, um fígado pode ser considerado com diminuição generalizada da ecogenicidade quando os vasos portais e hepáticos estão bem visíveis,mesmo se a gordura falsiforme está com a mesma ecogenicidade dele? Se sim, eu posso questionar linfoma,intoxicação,ou iccd? E se não, quais as coisas que eu posso ver e dizer que está com diminuição da ecogenicidade?
    Estou estudando bastante, mas tenho dificuldade pra ver isso, e principalmente de limitar minhas suspeitas como por exemplo nesse caso eu teria umas 4 pelo menos.
    Se fosse possível gostaria de enviar as fotos pra vc ver, se não, agradeço muito se vc me ajudar por aqui mesmo! Um grande beijo

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    1. Oi Lígia,

      Obrigada de novo pela participação!

      Então, além da ecogenicidade do parênquima, o fígado deve ser avaliado em outros parâmetros, incluindo o tamanho, o contorno e as bordas. Para se considerar um processo agudo como ICCD ou intoxicação, por exemplo, você também pode levar em conta esses outros indicativos, sendo que nestes casos, é mais comum observar hepatomegalia acompanhando a hipoecogenicidade. Também é importante sempre comparar a ecogenicidade do parênquima hepático com a de outros órgãos parenquimatosos sob a mesma configuração utilizada nos outros para que você não provoque alterações de técnica.

      Se quiser me mandar as imagens com um histórico prévio do paciente, fique à vontade. fernanda.vet@hotmail.com. Sempre que possível eu respondo e ajudo.

      Recomendo para vocâ a leitura do meu post sobre o fígado. Tentei fazer um apanhado resumido das principais alterações hepáticas detectáveis na ultrassonografia e suas possíveis causas. http://www.ultrassomveterinario.com/2012/08/o-figado.html

      Eu sei que a avaliação hepática é um tanto frustrante porque as possibilidades são múltiplas, mas é sempre melhor colocar todas as possíveis suspeitas sonográficas no laudo, em ordem de relevância, para que o clínico responsável possa avaliar melhor e correlacionar com outros dados para afunilar a lista de diagnósticos.

      Abraços,

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